Excluir o passado, e com ele a tradição, é excluir Deus que está fora de todos os tempos.
A tradição pode ser definida como uma extensão do direito de voto. Tradição significa dar o direito de voto à classe mais obscura de todas, nossos ancestrais. É a democracia dos mortos. A tradição se recusa a submeter-se à pequena e arrogante oligarquia daqueles que por acaso estão vivos. Todos os democratas se opõem à desqualificação de homens pelo acaso do nascimento; a tradição se opõe à sua desqualificação pelo acaso da morte.
Por José Pearce
Há dois espíritos em ação em cada geração das eras
do homem. Há o Espírito Santo e há o Espírito da Era – o Geist Heiliger e
o Zeitgeist. O Espírito Santo é o Espírito de todas as épocas; Ele é o
Espírito imutável que ilumina cada vez com a atemporalidade da verdade. O
Espírito da Era é o espírito passageiro de cada era passageira; é o
espírito em constante mudança que reflete as modas e modas de períodos
particulares.
O Espírito Santo não é de uma época, mas de todas as idades, porque
Ele é onipresente. Não é tanto que Ele esteja presente em todas as
épocas, embora Ele esteja, mas que cada era está presente a Ele. Não há
passado e não há futuro para Deus. Tudo é agora. E aqui reside o
paradoxo que nos permite compreender a nossa própria idade à luz de
todas as épocas. Aqui reside a conexão entre a verdade e a tradição;
aqui reside o meio pelo qual podemos ver o presente e o futuro à luz do
passado.
O passado precisa estar presente para nós porque está presente a
Deus; ele brilha Sua presença no tempo. O futuro não pode estar presente
para nós da mesma maneira que está presente a Deus, mas sabemos que Ele
está presente nos séculos vindouros como Ele está presente nas eras que
estiveram. Nas palavras da conhecida canção do Evangelho, não sabemos o
que o futuro reserva, mas sabemos quem detém o futuro.