A Secretaria para a Economia e a ULSA organizam um evento “apreciado e incentivado” pelo Papa. O secretário do Dicastério para a Cultura e a Educação adverte contra o “paradigma tecnocrático” que considera esses instrumentos “neutros” e reafirma o papel da Santa Sé na promoção de uma governança global. Padre Benanti destaca a “disposição de poder” que todo novo modelo implica. Professor Giustozzi: a importância do treinamento dos algoritmos.
| Seminário no Vaticano sobre IA. |
Por Edoardo Giribaldi
“Uma abundância de meios e uma confusão de fins”. A fórmula atribuída a Albert Einstein é um retrato instantâneo de um mundo interpelado pelas novas tecnologias e por elas moldado. Os interesses em jogo são múltiplos, não “neutros”, e é nesse contexto que a Santa Sé, sem fins militares ou comerciais, pode desempenhar um papel fundamental na promoção de uma governança global que desenvolva sistemas “éticos desde a sua concepção”. Essas foram algumas das ideias que surgiram no seminário “Potencialidades e desafios da Inteligência Artificial”, organizado pela Secretaria para a Economia e pelo Escritório do Trabalho da Sé Apostólica (ULSA), realizado nesta manhã de segunda-feira, 2 de março, no Salão São Pio X, na Via della Conciliazione, 5, em Roma. Os trabalhos foram abertos pelo professor Pasquale Passalacqua, diretor da ULSA, que destacou como o próprio Papa Leão XIV, informado diretamente sobre a iniciativa pelo presidente, dom Marco Sprizzi, a “apreciou e encorajou”, desejando uma “consciência mais profunda neste campo tão atual e complexo”. As intervenções foram moderadas por Alessandro Gisotti, vice-diretor editorial do Dicastério para a Comunicação. Os palestrantes foram monsenhor Paul Tighe, secretário do Dicastério para a Cultura e a Educação; padre Paolo Benanti, professor da Pontifícia Universidade Gregoriana e da Universidade LUISS Guido Carli; e o professor Corrado Giustozzi, professor do curso de mestrado em Engenharia de Sistemas Inteligentes da Universidade Campus Bio-Medico.
