terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Quaresma é o momento perfeito para nos prepararmos para a morte.

A salvação eterna é para nós a questão mais importante – a única questão – e, se uma vez negligenciada, torna-se irreparável caso cometamos algum erro. 

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O Juízo Final

 

De vez em quando, a gente se sente perdido, vazio, sem fé. O desejo juvenil de ser santo parece ter sido apenas um fogo de palha. A fé forte, quase palpável, que existia antes, agora parece ter desaparecido. Os deveres, obrigações e exigências do dia a dia parecem pesar mais do que a confiança em Deus. Quem nunca se sentiu assim?

A fé pode realmente se esvair, como vemos no exemplo do rei Joás, que inicialmente agradou ao Senhor, mas, em certo momento, se afastou do verdadeiro Deus (cf. 2 Cr 24,18-22), ou em Judas Iscariotes, que foi discípulo e mais tarde escolhido pelo próprio Cristo para ser apóstolo, apenas para se tornar um traidor (cf. Lc 6,16). No entanto, devemos lembrar que a fé não é uma emoção duradoura – na verdade, não é uma emoção; a fé é uma decisão de aderir à verdade revelada pelo Deus Uno e Trino. Aderir a essa verdade significa agir de acordo com ela, conforme confiada por Cristo à Sua Igreja. Até mesmo os santos experimentaram a privação da “fé sentida”, como Santa Teresa de Calcutá, que suportou 50 anos de aridez espiritual, mas não deixou de viver segundo a virtude da santidade.

A arbitrariedade de Brambilla e Roche como eixo do debate sobre o estado de necessidade

 A arbitrariedade de Brambilla e Roche como eixo do debate sobre o estado de necessidade 

 

Por Miguel Escrivá

 

A invocação do “estado de necessidade” por parte da Fraternidade Sacerdotal São Pio X é frequentemente apresentada como um gesto ideológico. No entanto, a categoria não pertence ao âmbito retórico, nem mesmo exclusivamente ao âmbito moral e pastoral, mas em primeira instância ao técnico-jurídico: O cânon 1323, 4º do Código de Direito Canônico exclui a pena quando alguém age impulsionado por necessidade para evitar um mal grave, desde que o ato não seja intrinsecamente ilícito nem prejudique as almas.

A doutrina canônica clássica exige três condições cumulativas: perigo grave para um bem espiritual, caráter atual ou moralmente certo desse perigo, e inexistência de meios ordinários eficazes para conjurá-lo. A questão, portanto, não é se agrada ou não o rito tradicional, nem se se compartilha a posição da FSSPX, mas se o marco jurídico vaticano vigente garante objetivamente a continuidade sacramental do rito que a vertebrar.

Para responder, é necessário examinar dois elementos: o modelo recente de exercício do poder administrativo na Cúria e o novo estatuto jurídico do rito tradicional desde 2021.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Excomungados e cismáticos

 

É curioso que progressistas e aqueles que celebram qualquer heresia ou inovação conciliar, como a jornalista Elizabetta Piqué, estejam se desesperando porque as eventuais consagrações episcopais a serem realizadas pelos bispos da FSSPX provocarão sua excomunhão e mergulharão a eles e a todo o seu grupo em cisma. Medidas canônicas, algo tão ultrapassado e contrário à misericórdia característica de nossos tempos, são ressuscitadas quando as vítimas são os "ultracatólicos".

Mas ainda mais curioso é que os neoconservadores adotam uma atitude semelhante. Para eles também, a excomunhão rompe a “unidade eclesial”, embora não compreendam totalmente o significado dessa expressão. Parece-me que essa comunhão é rompida de muitas maneiras; também, por exemplo, pela negação ou dissimulação de pontos centrais da fé e da moral. Contudo, nesses casos, eles permanecem em silêncio.

Se o padre não é "outro Cristo", por que ele existe? Andrea Grillo ataca o Papa e o sacerdócio

 

Existem palavras que parecem técnicas, mas escondem batalhas existenciais. "Alter Christus", outro Cristo, é um deles. A Igreja chama os padres dessa forma para expressar algo que vai além da simples representação: quando um padre consagra pão e vinho na Missa, quando absolve os pecados no confessionário, ele não está "agindo em nome de Cristo" como um delegado age em nome de seu chefe. Ele está sendo um instrumento do próprio Cristo, que opera através dele. O padre, nesse momento, desaparece. E Cristo aparece.

Mas esse entendimento, tão antigo quanto a própria Igreja, permanece sob cerco. E o último ataque não vem de fora, mas de dentro: Andrea Grillo, um teólogo italiano considerado o ideólogo intelectual da Traditionis Custodes, cujas ideias sobre a Missa tradicional foram adotadas quase literalmente no documento de 2021, acaba de publicar um artigo altamente crítico ao Papa Leão XIV. Seu pecado: ter dito aos padres de Madri que sua identidade consiste em "ser alter Christus".

Para Grillo, isso é intolerável. Não porque seja falso, mas porque, segundo ele, é "uma invenção do século XIX", um resquício do "clericalismo" que o Concílio Vaticano II teria superado. O problema é que, se se ler atentamente tanto o ataque de Grillo quanto a carta papal que ele critica, descobre-se algo perturbador: o que está em jogo não é uma disputa acadêmica sobre quando uma expressão latina foi cunhada. É uma questão existencial: O que é um padre? E para que ele existe?

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