Dom Mizobe assegura que o problema com o Caminho Neocatecumenal não ocorre apenas no Japão. Neste sentido, recorda que a arqudiocese de Clifton, na Inglaterra, proibiu todas as atividades do Caminho e também assinala o fato que a Conferência dos bispos da Palestina publicou um documento pedindo ao Caminho que pratique um auto-controle de suas atividades.
Envio de delegado papal
Após a reunião em Roma, o Núncio do Papa no Japão manteve um encontro com o arcebispo de Tóquio e os bispos que estiveram no Vaticano. Então lhes comunicou que era bastante provável que um enviado especial do Santo Padre fosse mandado ao Japão. Até então, no entanto, segundo Dom Mizobe, chegou-se ao acordo de que, em relação às atividades do Caminho, cada bispo era livre para proceder como considerasse oportuno para sua diocese.
Segundo o bispo de Tamakatsu, na reunião de Roma, os prelados japonêses colocaram ênfase especial em que o conflito tem relação com as leis disciplinares das dioceses e, portanto, depende da jurisdição dos bispos das mesmas. “Enfatizamos que o fato de que o Caminho Neocatecumenal tenha sido aprovado por Roma não implica automaticamente que uma diocese local deva aceitá-los”, explica Dom Mizobe. O prelado assegura que insistiram no fato de que a pessoa que melhor entende a situação de uma igreja local é seu bispo e que qualquer decisão que se queira tomar em Roma deve e começar com uma discussão com os bispos das igrejas locais.
O Papa esteve presente na reunião
Segundo Dom Mizobe, as opiniões dos cardeais presentes na reunião foram diversas, de modo que consideraram que a reunião foi mais uma expressão da opinião pessoal dos presentes na mesma do que uma discussão sobre o fundo da questão. Cabe destacar que um dos presentes foi o próprio Bento XVI.
O bispo de Takamatsu reconhece que ficou muito claro que a decisão da Conferência Episcopal do Japão de suspender as atividades do Caminho era um “grande problema para o Vaticano”. Ademais, assegura que o Papa Bento XVI disse que estava pensando positivamente sobre a possibilidade de enviar um delegado especial ao Japão.
Dom Mizobe garante não ter dúvida alguma de que o Papa enviará seu delegado a sua diocese, mas diz que tal envio é uma amostra de quão grande é o racha na diocese causado pela presença do Caminho Neocatecumenal.
O bispo termina sua carta comunicando sua diocese a respeito das atividades do Caminho em sua diocese:
Não é admissível a nenhuma organização ou movimento fazer o possível para impedir que o Bispo atue em sua diocese. É importante que todos nós nos encaremos seriamente os sucessos que se produziram em nossa diocese nos últimos 20 anos e continuam ocorrendo. Não é o momento para alguém dedicar somente aos interesses de seu grupo, mas, antes, hora de pensar em formas de servir a diocese. Em nossa diocese, reunida em torno de nosso bispo, encontramo-nos em um ponto crucial no caminho em direção a um “Renascimento e Unidade” autênticos.
A conclusão a que cheguei é que, até que tenhamos recebido os resultados da visita do enviado especial do Santo Padre, peço-lhes que suspendam todas as atividades do Caminho Neocatecumenal na diocese. A decisão foi aprovada tanto pelo Conselho Presbiteral como pelo Conselho Pastoral da diocese. Não é uma decisão que signifique que o diálogo acabou, mas, antes, uma oportunidade para que todos reflitamos.
Quando um processo se desvia, diz-se que é necessário voltar ao ponto de partida. Creio que “AGORA” é um bom momento para que voltemos ao ponto de partida. Esta decisão não significa que os membros do Caminho Neocatecumenal estejam excluídos das atividades da diocese. Também desejo que o povo da diocese participe ativamente no processo de três anos que começamos para revitalizar nossa diocese. Não há nenhuma pessoa desta diocese que possa estar isenta de participar neste processo.
http://fratresinunum.com/2011/01/25/apesar-de-intervencao-papal-bispo-japones-vai-em-frente-e-suspende-neocatecumenato-em-sua-diocese/