À luz da fé, quem elege ou escolhe o papa é o Espírito Santo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade
Por Edson Sampel
SãO PAULO, 07 de Março de 2013 (Zenit.org)
- Quando se pergunta quem elege o papa, é comum ouvir a resposta
automática: os cardeais. Na verdade, à luz da fé, quem elege ou escolhe o
papa é o Espírito Santo, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, ou
seja, Deus mesmo. Sobrenaturalmente falando, os cardeais são um
instrumento para a eleição do sucessor de são Pedro.
Deus, com efeito, gosta de empregar esse método de parceria com
o ser humano. Assim, por exemplo, a bíblia foi escrita por dezenas de
pessoas ao largo de séculos, porém sob a inspiração divina. Por isso,
diz-se com acerto que Deus é o autor das escrituras sagradas.
Os cardeais estão plenamente cônscios do seu verdadeiro papel no
processo de eleição do novo sumo pontífice. Sabem que não se trata
apenas de uma solenidade jurídico-canônica. A própria lei que regula a
eleição do bispo de Roma salvaguarda a sacralidade dos votos, dispondo
que o escrutínio seja realizado na Capela Sistina, “onde tudo concorre
para avivar a consciência da presença de Deus, diante do qual deverá
cada um apresentar-se um dia para ser julgado.” (Constituição Apostólica
Universi Dominici Gregis, preâmbulo).
Acima de quaisquer critérios meramente contingentes (cor, país, idade
etc.), deve prevalecer a vontade de cada purpurado de dar seu voto
àquele que realmente pode segurar firme o timão da barca de Pedro, tendo
em vista os desafios atuais do cristianismo. No conclave, sob a moção
do Espírito Santo, os eleitores têm de pôr de lado eventuais sentimentos
de apreço ou desapreço e tão somente visar ao bem da Igreja, do povo de
Deus. Deveras, tal regra deveria ser empregada igualmente na vida
pública estatal: os políticos deveriam objetivar só o bem comum. Sem
embargo, creio que os cardeais, em clima de profunda oração, decerto
encontram-se mais propensos a agir desinteressadamente.
Os católicos podem e devem coparticipar do conclave. Como? Rezando.
Pedindo que nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, intervenha
junto a Jesus para o sucesso do pleito que, com a fumaça branca,
redundará na escolha do novo vigário de Cristo.
Edson Luiz Sampel é Doutor em Direito Canônico pela
Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano e Professor da Escola
Dominicana de Teologia (EDT).
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