Células constitutivas da sociedade, as famílias funcionam como um
termômetro dela. Quando estão sadias, a sociedade se ordena. Quando não,
o corpo social fica comprometido, com reflexos em todos os campos da
atividade do homem, da religião à economia.
Assim, o grau de decadência da sociedade atual pode ser avaliado em
função da situação das famílias que a constituem. De tal modo elas se
distanciaram da formação recebida de seus antepassados que romperam com a
estabilidade perene dentro das mutações normais das coisas. Romperam
com aquilo que é imutável no mundo que muda, ou seja, a tradição.
Em sua obra-prima Revolução e Contra-Revolução, Plinio
Corrêa de Oliveira afirma que a crise do homem contemporâneo tem sua
raiz nos problemas de alma mais profundos. E ao apontar para a amplitude
da Revolução, o autor mostra que ela visa destruir toda uma ordem de
coisas legítima a fim de substituí-la por uma situação ilegítima.
Ao sacramentar o matrimônio, Jesus Cristo abriu para os esposos uma
via de santidade, na qual o fim natural da multiplicação da espécie
humana foi elevado a um objetivo ainda mais nobre: o da geração de
membros para o seu Corpo Místico. Por isso, a verdadeira composição da
sociedade tem por base a união familiar indissolúvel entre o homem e a
mulher.
Mas essa indissolubilidade está profundamente abalada, como também a
educação religiosa e moral dos filhos. Devido ao hedonismo de nossos
dias e de leis cada vez mais socialistas, a finalidade primordial do
matrimônio – a procriação e educação da prole – não é mais levada em
conta, levando à fragmentação da estabilidade e do equilíbrio da
instituição familiar.
Hoje os filhos não mais aprendem com seus pais a se dirigirem a Deus,
pois muitas vezes sequer são batizados. Como uma sociedade que não reza
poderá alcançar as graças de Deus? Enquanto as igrejas estão vazias, os
estádios, os shoppings centers, os bancos, as repartições públicas
regurgitam de gente: “onde está o teu tesouro, aí está o teu coração”.
A ausência dos pais, especialmente da mãe, no ambiente doméstico, tem
contribuído para corromper a sua autoridade junto aos filhos. As
crianças são afastadas do aconchego materno e da vida de família e
colocadas em creches, onde não raro seguem uma cartilha socialista,
aprendendo vícios, passando a ter sede precoce de liberdade e
independência.
Em vez de cultivar as mais sólidas virtudes e princípios que regerão
suas vidas, as crianças são educadas para a intemperança, o
desequilíbrio e o desajuste. Na realidade, apenas nos braços de uma mãe
extremosa aprendem elas amar a Deus e ao próximo, a regrar os seus
instintos. Quando os pais as entregarem à sociedade, elas saberão se
comportar no convívio social.
Quando se elimina Deus do centro da vida humana, tudo perde a razão
de ser. Se a sociedade se encontra hoje pervertida e erodida, é porque o
conjunto das famílias abandonou a moral, a religião, até mesmo a lei
natural. Quando isso acontece, ela cai nas mãos de políticos
aventureiros, demagogos e inescrupulosos, oriundos eles mesmos de
famílias e de colégios que os corromperam e doutrinaram.
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(*) Pe. David Franciquini, Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)
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(*) Pe. David Franciquini, Sacerdote da Igreja do Imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira (RJ)
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