Medida foi elogiada por alunos nas redes sociais. Escola foi a primeira a permitir o uso do nome social por travestis e transexuais
Rio - Com o objetivo de manter a identidade e a igualdade de seus
alunos, o Colégio Pedro II aboliu a distinção do uniforme escolar por
gênero. De acordo com a norma, divulgada nesta segunda-feira, não há
mais a especificação sobre o que é uniforme feminino e masculino. Em
nota, o reitor Oscar Halac afirmou que "a escola não deve estar
desvinculada de seu tempo e momento histórico".
"Procuramos
de alguma maneira contribuir para que não haja sofrimento desnecessário
entre aqueles que se colocam com uma identidade de gênero diferente
daquela que a sociedade determina. A tradição não importa em anacronia,
mas pode e deve significar nossa capacidade de evoluir e de inovar",
afirmou, em nota, o reitor.
A medida foi consolidada por meio da Portaria nº
2.449/2016, que trata das Normas e Procedimentos Discentes, e atende aos
parâmetros da Resolução nº 12 do Conselho Nacional de Combate à
Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Travestis e
Transexuais (CNCD/LGBT).
O documento também normatizou a
flexibilização do uniforme durante o verão, medida que já vinha sendo
adotada nos dois últimos anos, permitindo a utilização do uniforme de
Educação Física neste período.
A mudança foi elogiada pelos
estudantes e ex-alunos do colégio nas redes sociais. "Muito legal ter
estudado em um colégio que valoriza a igualdade", escreveu uma
internauta. "Preocupar-se com o ensino é também, principalmente,
preocupar-se com o ser humano. O CPII está dando uma lição de respeito
às liberdades individuais", destacou outra. "Que evolução. Parabéns!",
comemorou outro aluno.
Uso do nome social
O Colégio
Pedro II foi o primeiro da rede pública no Rio a comunicar o cumprimento
do decreto da ex-presidente Dilma Rousseff que permite o uso do nome
social por travestis e transexuais em órgãos e entidades da
administração pública federal. Há dois anos, uma aluna trans do colégio
foi assistir a aulas de saia – peça do uniforme feminino da escola – e a
direção recomendou que ela trocasse pela calça. Agora, alunos e alunas
trans podem usar o uniforme com o qual se sentem melhor.
Em
setembro de 2014, um grupo de jovens vestiu saias em um protesto contra o
sexismo. A manifestação ocorreu depois a direção do colégio chamar a
atenção de um aluno por usar saia dentro das dependências do colégio.
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