Por Prof. Felipe Aquino
Vamos meditar um minuto sobre a humildade e a fortaleza de Maria?
O Papa Paulo VI, em uma bela inspiração,
disse um dia que “se não compreendermos o mistério de Maria não podemos
compreender o mistério de Cristo”. De fato, Jesus e Maria são dois
mistérios inseparáveis.
Muitos teólogos perguntaram por que foi
Ela, e não outra mulher, a escolhida de Deus para ser a Mãe do seu Filho
humanado. Ela mesma responde no Magnificat – “Ele olhou para a
humildade de sua serva, por isso todas as gerações me chamarão de
bem-aventurada” (Lc 1,48).
O
mistério e o segredo de Maria estão na sua humildade. Ela é a nova Eva,
que com sua humildade e obediência desatou o nó da soberba e da
desobediência da primeira. Mas para isso, Ela teve de passar pelo vale
da morte com Jesus. Nenhuma mulher neste mundo sofreu como Ela. Desde a
Apresentação do seu Menino Deus no Templo, o velho profeta já lhe avisou
que “uma espada atravessará a sua alma”.
Somente a mulher mais humilde da
humanidade poderia suportar na fé, sem murmurações, tanta dor e
sofrimento que Ela padeceu. Somente a mulher mais humilde poderia
confiar absolutamente em Deus e nos seus “estranhos” desígnios para Ela e
para Seu Filho divino.
Confiar em Deus foi muito mais do que
dizer SIM ao arcanjo Gabriel e aceitar ser a Mae do Salvador. Não lhe
fez nenhuma exigência e nenhuma pergunta que mostrasse desconfiança, ao
contrário, colocou-se como a “Serva do Senhor”, pronta para fazer
incondicionalmente a Sua santa vontade.
Dentro de pouco tempo sua fé é suportada
pela sua imensa humildade diante de um Deus que deixa seu Filho amado
nascer em uma gruta fria, em estábulo de animais, e colocado numa
manjedoura onde os animais comiam. Que paradoxo! O Rei do mundo não tem
um berço para nascer, não tem uma casa para se abrigar.
Ela poderia ter dito: eu aceito ser a Mãe
do Filho de Deus, aceito o que vier pela frente, mas… num estábulo, eu
não quero que Ele nasça. Não por mim, mas por Ele. Não é mesmo? Imagine!
Mas não, Maria aceitou a vontade “misteriosa” de Deus, sem nada
questionar, até as últimas consequências.
Se a humildade de Maria não fosse
gigantesca, ela não suportaria tudo isso, poderia se desesperar,
blasfemar contra o céu… no entanto, Ela era a mais humilde e submissa
criatura desta terra. Ela confiava sem questionar. Por isso Ela foi a
escolhida, e não outra mulher.
Logo em seguida, no meio da noite, teve
de fugir para o Egito para evitar a morte do Menino. Não questionou a
palavra de José, não quis saber sobre a aridez do caminho e nem as
dificuldades a enfrentar na travessia do longo deserto do Sinai, e o que
seria deles numa terra estranha… A mulher mais humilde curvou-se ao
duro desígnio de um Deus que permite que Seu Filho amado seja perseguido
logo cedo. A mulher mais humilde não interrogava a Sabedoria eterna,
apenas obedecia a Sua voz, não é de sua conta saber o que Ele faz. Ele
sabe o que faz, e por que faz. Sou a Serva do Senhor! A serva só
obedece, nada mais.
Que outra mulher aceitaria tanta
“humilhação” sendo a Mãe do Messias esperado pelas nações, “o mais belo
dos filhos dos homens”? Só Ela mesma.
E quantos sofrimentos e humilhações mais Ela teve de suportar para que Seu amado Filho pudesse nos salvar.
Que outra mulher suportaria na fé ver Seu Filho divino jurado de morte pelos doutores da Lei?
Que outra mulher suportaria, numa
confiança absoluta em Deus, ver Seu divino Filho julgado e condenado
como um facínora, um bandido, flagelado até o sangue, coroado de
espinhos?
Que outra mulher suportaria ver Seu Filho divino carregando a Sua Cruz para ser nela imolado, diante de seus olhos?
Que outra mulher estaria ali de pé,
diante do Seu Filho divino crucificado, morrendo de dor na morte mais
horrível que se possa imaginar?
Que outra mulher não arrancaria os seus cabelos, e não renegaria o Seu Deus, e a Sua fé?
Só
mesmo a Mulher mais humilde da humanidade poderia suportar, na fé que
move montanhas, um desígnio tão “estranho” do Pai do Seu divino Filho.
Por isso, Ela foi a Mulher escolhida por
Deus, outra não suportaria tanta dúvida e tantas “contradições”. Ela
teria que ser uma Mulher totalmente esquecida de si mesma, que
desapareceu aos seus próprios olhos, que renunciou a si mesma e tomou a
Cruz do Seu Filho a cada dia, que desapareceu para que Ele aparecesse e
nos salvasse.
Só mesmo a mais humilde das mulheres
poderia cumprir essa missão. Na Sua humildade estava toda a sua
fortaleza, porque “Deus resiste aos soberbos, mas dá a Sua graça aos
humildes” (1Pe 5,5).
Quantas lições Ela nos deu com seu silêncio e resignação!
Acima citamos só algumas, mas deixamos essa meditação em aberto para você continuar…
Meditemos e aprendamos com Maria!
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