Léo Marques
À direita o pastor LGBT Gregory Rodrigues com seu esposo à
esquerda
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Para Gregory Rodrigues, 26 anos, pastor, gay e autor do livro "A
Bíblia Fora do Armário", sobre a relação entre cristianismo e
homossexualidade, é possível sim ser LGBT e cristão. Ele alerta, porém,
que manter a compatibilidade não é tarefa fácil.
Lidar com cristãos tradicionais, segundo o pastor, requer esforços.
"Sempre haverá gente com outras interpretações, defendendo pregações condenatórias, como as que tratam LGBT como pessoas possuídas por demônios ou que precisam ser curadas", lamenta. Do outro lado, alguns LGBT, de tanto ouvirem discursos preconceituosos, acabam acreditando que toda igreja é igual e desconhecem as igrejas inclusivas – que são mais liberais e acolhem a diversidade. "As igrejas inclusivas não buscam cercear sua liberdade de vida", explica.
"Sempre haverá gente com outras interpretações, defendendo pregações condenatórias, como as que tratam LGBT como pessoas possuídas por demônios ou que precisam ser curadas", lamenta. Do outro lado, alguns LGBT, de tanto ouvirem discursos preconceituosos, acabam acreditando que toda igreja é igual e desconhecem as igrejas inclusivas – que são mais liberais e acolhem a diversidade. "As igrejas inclusivas não buscam cercear sua liberdade de vida", explica.
Um gay que sempre teve contato com a Bíblia
De acordo com o pastor Gregory, que é fundador da igreja evangélica
inclusiva "Benção e Vida", em Belo Horizonte, Minas Gerais, seu contato
com as escrituras sagradas vem desde o berço. "Eu fui criado e alinhado dentro da vida cristã, era
membro de uma igreja batista. Meu pai estudou para ser padre e só
desistiu do sacerdócio para se casar com minha mãe", explica.
Foi por causa da igreja que Gregory frequentava que veio sua
"libertação", mas de uma maneira incomum. "Eu costumo dizer que não me
assumi homossexual, fui descoberto", brinca.
Quando adolescente, o então jovem cristão, que queria estar no
altar e se preparava para um chamado pastoral, se apaixonou por um filho
de pastor e a atração foi recíproca.
"Nós passamos a nos relacionar, até que em um Dia dos Namorados me
viram com o garoto no shopping", relembra.
Momento da Santa Ceia ministrado pelo pastor Gregory e seu
esposo
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A "cura gay" quase terminou em suicídio
Após o flagrante, não demorou muito para as lideranças da igreja e a
família de Gregory intervirem.
"Ofereceram-me 'tratamentos' espirituais e um acompanhamento com
uma psicóloga 'cristã', que relatava aos outros tudo o que eu contava
para ela", explica.
O pastor desabafa que esta foi sua pior fase, pois se não bastasse
ter sua privacidade violada, passou por grandes conflitos internos
envolvendo sua sexualidade e a criação religiosa, além de ter sido
agredido por seu pai e obrigado a se afastar de todos.
"Eu quase cometi suicídio. Não compreendia se Deus me aceitaria da
maneira que eu sou e que não há como mudar", diz.
Deus não faz acepção de pessoas
Foi então que Gregory, aos 17 anos, conheceu em Belo Horizonte a
Igreja da Comunidade Metropolitana, presente em mais de 30 países, de
vertente protestante, e caracterizada por aceitar e acolher fiéis
LGBT.
"A igreja me amparou, cuidou de mim e me apresentou a teologia
inclusiva e esse amor de Deus que não diferencia pessoas", comenta.
Fortalecido mental e espiritualmente, Gregory voltou a frequentar
os cultos, a estudar e pregar sobre a Bíblia, e hoje, além de pastor, é
teólogo, historiador, defensor LGBT e pregador da teologia inclusiva em
programas de TV e no YouTube (@canalgreggtv).
"O evangelho é inclusivo e não pode ser tratado como peça exclusiva
de um seguimento da sociedade. Então, eu conscientizo e prego para
todos, porque Jesus fez isso", explica o pastor.
Tem dado certo. Hoje, o convívio em família e a vida pessoal de
Gregory estão muito melhores. "Eu tive que me impor, mostrar para os
outros que ser LGBT não é bagunça.
Então, não significa que por ser homossexual não se possa viver um
relacionamento baseado em respeito e em fidelidade. Não significa que por ser gay não se tenha o desejo de constituir
família. Hoje, meus familiares me respeitam por isso. Me casei, meu esposo também é cristão, e todos nós convivemos bem",
comenta.
"Jesus é top, o que estraga é o fã-clube"
O pastor Gregory afirma que muitos homossexuais, principalmente os
que cresceram em lares cristãos, desejam viver um cristianismo pleno,
mas são desencorajados por pregadores de igrejas tradicionais.
"Você escuta que Deus não te aceita como é, e por isso sua fé
esfria." E vai além: "a culpa pelo grande afastamento das pessoas do convívio em uma
igreja é da própria instituição, que, em muitos casos, tem espantando os
fiéis devido à insistência gritante em tematizar preconceitos
carregados de ódio e de mágoa e de manipular o evangelho", comenta.
O pastor Gregory também relembra que gays e lésbicas sempre
existiram e que Jesus, além de nunca tê-los condenado, se atenta mesmo
às ações humanas.
"Jesus é top, o que estraga é o fã-clube. Ele nunca tratou ninguém com preconceito, ou com desdém. Muito pelo contrário, sempre chamou todo tipo de pessoa para dentro
de seu círculo de convivência.
Não está na pauta de Jesus com quem eu me deito, mas como eu vivo, se eu amo e respeito a Deus, se eu amparo e ajudo o próximo, o pobre, o necessitado, é isso que importa. O ser sagrado não tem preconceito. Quem tem preconceito é quem prega sobre Ele.
Então, não é por isso que nós temos que deixar de ter experiências espirituais maravilhosas, baseadas no evangelho, numa vida cristã. Devemos é procurar igrejas que amparem e acolham a diversidade", conclui.
Não está na pauta de Jesus com quem eu me deito, mas como eu vivo, se eu amo e respeito a Deus, se eu amparo e ajudo o próximo, o pobre, o necessitado, é isso que importa. O ser sagrado não tem preconceito. Quem tem preconceito é quem prega sobre Ele.
Então, não é por isso que nós temos que deixar de ter experiências espirituais maravilhosas, baseadas no evangelho, numa vida cristã. Devemos é procurar igrejas que amparem e acolham a diversidade", conclui.
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jbpsverdade: O homossexualismo é um pecado
gravíssimo que não arrependido leva para o inferno. É abominação que
exclui o ser humano da vida eterna com Deus, quem nos atesta é a própria
Palavra de Deus...
Não te deitarás com um homem, como se fosse mulher: isso é uma abominação. (Lv 18, 22)
Se um homem dormir com outro homem, como se fosse
mulher, ambos cometerão uma coisa abominável. Serão punidos de morte e
levarão a sua culpa. (Lv 20, 13)
Acaso não sabeis que os
injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os
impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os
devassos,
nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus. (I Cor 6, 9-10)
Nela não entrará nada de profano nem ninguém que
pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes
estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. (Ap 21, 27)
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